A história desses marginalizados se dá com o início da
Revolução Industrial; a ascensão e o crescimento da indústria moderna, no final
do século XVIII, que levou à massiva urbanização e o crescimento de novas grandes
cidades, na medida em que as novas oportunidades geradas nas cidades fizeram
com que grandes números de migrantes provenientes de comunidades rurais
instalassem-se em áreas urbanas.
Esses avanços tecnológicos permitiram a criação de grandes
fábricas e ferrovias, que geravam empregos e atraíam grande quantidade de pessoas
do campo para as cidades onde as fábricas estavam localizadas. Trens, automóveis
e outros meios de transporte facilitaram o transporte entre um ponto a outro da
cidade.
A industrialização das cidades causou grandes mudanças na
vida urbana. Produtos, que artesãos levavam horas para fazer, eram produzidos
em questão de minutos nas fábricas, em grande quantidade, e a preços mais
baixos. Os artesãos passaram a ter crescente dificuldade em encontrar clientes
dispostos a comprarem produtos que passaram a ser produzidos por preços mais
baixos nas fábricas. Muitos destes artesãos desistiram de seus negócios e
ficaram desempregados, vários deles foram obrigados a trabalhar em fábricas
para se sustentar.
Londres era conhecida pela produção têxtil (seda), pela
construção naval e pela engenharia civil e mecânica pesada e sofria com a
deficiência relativa as outras áreas da industria. A instabilidade do mercado
de trabalho acentuava a extrema exploração do trabalhador e forçava-o a residir
no centro da cidade, próximo aos lugares aonde sua busca de emprego ocasional
se fazia possível. As péssimas
condições de moradia e a superpopulação eram duas situações constantes sobre os
bairros operários londrinos. Os operários viviam de forma precária degenerando a imagem
visual das ruas de Londres.
Na década de 1830, a
cidade geralmente não dispunha de abastecimento de água e esgoto nem mesmo nos
bairros onde as casas e apartamentos da burguesia e da elite estavam
localizadas. Não só a falta d’água, mas também a ausência de lugares onde jogar
a água suja após o seu uso. O lixo, os esgotos domésticos e mesmo os dejetos
urinários eram jogados na rua ou próximo ao rio. Assim, o hábito de tomar
banho, devido à falta d’água e às dificuldades de sua eliminação, levava o
banho a um hábito raro, como também o hábito da troca de roupas ou mesmo de
lavá-la.
Os serviços sanitários e
hidráulicos foram instalados ao longo do século XIX nos bairros da elite e no
inicio do século XX nos bairros das classes trabalhadoras.
Os sérios problemas causados
pela desorganização e pela poluição levaram, eventualmente, à adoção de
políticas de planejamento urbano, tais como leis anti-poluição, construção de
estradas e a implementação de um sistema de transporte público (tais como
linhas de ônibus e metrô) e saneamento.
Os ingleses viam no
crescimento econômico as causas para os males sociais de altíssimo custo. O
proletariado: trabalhadores pobres, famintos, deserdados da prosperidade,
apesar de produzirem essa prosperidade, eram vistos como bárbaros, e por isso
deviam ser mantidos em seus guetos, sem direitos, sem conforto, sem sonhos nem
futuro. No final do século a imagem do novo mundo industrial era a pior
possível. O desenvolvimento econômico tendo como aliadas as máquinas, fez do
homem, simples peça, tendo sua vida reduzida não raramente à metade. Era a
própria negação da sociedade, a afirmação do “anti-social”.
A industrialização e os
marginalizados estão totalmente ligados e cresceram juntos durante o século
XIX, o que mostra que a Londres deste século não foi feita só de coisas boas e
que uma revolução pode mudar não só uma sociedade, mas também um conceito de
cidade.
MACÊDO, José Emerson Tavares de. A cidade de Londres no Século Xix: Uma
abordagem sobre os marginalizados. Disponível em: <http://eduep.uepb.edu.br/alpharrabios/v2-n1/pdf/A_CIDADE_DE_LONDRES.pdf>.
Acesso
em: 08 de março de 2012.